Presentable Liberty

Presentable Liberty

 

Um sensação que muitos leitores ávidos conhecem é a angústia conformada que sofremos ao observar lentamente o nascimento, desenrolar, crise e decadências de personagens e suas relações. Tudo isso sabendo que não importa o quanto se deseje, não podemos mudar o que está escrito no papel. Seja uma separação entre dois personagens queridos, uma conversa constrangedora, um erro terrível ou mesmo uma morte, sabemos que o resultado não se altera, não importa o tamanho da nossa insatisfação.

No ambiente seguro e interativo dos jogos, porém, essa característica é amenizada, muitas vezes permitindo que o espectador tenha a ilusão de que suas ações estão afetando de forma decisiva os resultados e o desenrolar de cada um dos elementos da narrativa. Dessa forma é de se esperar que um jogo que lhe dá a mesma sensação de impotência que um livro traz seja considerado ruim, certo?

Em Presentable Liberty, seu personagem está preso e não tem ideia do porque. Tudo que ele pode ouvir de sua cela é o suave tique-taque de um relógio. E tudo que ele sabe do mundo exterior chega a ele em forma de cartas.

Ele não sabe se as pessoas que lhe escrevem são reais, nem se suas histórias são dignas de confiança. Ele não tem meios de descobrir o que se passa no mundo lá fora. E ele não pode fazer nada a respeito disso.

Vou deixar que você decida se essa sensação angustiante é poderosa ou não, e se ela se encaixa numa mídia tão dependente da interatividade como são os jogos. Eu, pessoalmente, acredito que sim.

 

Disponível para: PC
Desenvolvedora: Wertpol
Tempo de Jogo: 1 hora e 30 minutos
Gratuito

Patrícia Sato

About Patrícia Sato

Game Designer por formação, Artista por vocação, Cozinheira por diversão e Cat Lady por definição.

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