BIG Festival 2015: Categoria “Melhor Jogo”

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Vinicius Aleixo faz parte da equipe de organização do BIG Festival. Suas opiniões expressas no Quick Saving e em textos relacionados, entretanto, não representam de forma alguma as opiniões do BIG Festival ou Abragames.

 

Resolvi deixar o melhor para o final. Aliás, resolvi deixar os melhores dos melhores para o final.

Dessa vez eu não vou falar das características específicas de cada jogo. Eu prefiro falar de como cada atributo está em sinergia com os outros para que os títulos abaixo tenham entrado para a categoria. Vale frisar, todos os jogos abaixo também estão presentes em outras categorias.

 

war

Percebi algo engraçado enquanto fazia o texto sobre a categoria de Melhor Som. Alguns dos jogos ali eram tão bem conectados com a trilha sonora, que muitos deles simplesmente não funcionariam sem ela. Em This War of Mine, eu sinto que o que é inseparável é o gameplay e a narrativa.

O jogo te coloca do outro lado da guerra, e isso te obriga a fazer escolhas muito mais difíceis do que um Call of Duty da vida te incitaria. Sendo um refugiado, você precisa não apenas manter você e seus colegas vivos, mas também precisa agir de acordo com a sua ética. Por mais que minha mente estivesse resolvida de que eu ia entrar em uma casa e simplesmente matar todo mundo que me impedisse de pegar suprimentos, não consegui. Quando eu vi um senhorzinho, que é composto por nada mais que um modelo 3D e linhas de código, implorando para que eu não machucasse ele ou sua mulher, não conseguir progredir. Em vez disso voltei para o meu abrigo e me dei por vencido.

A narrativa é tão forte que acaba influindo nas suas escolhas de jogo, e vice-versa. Quando você pega isso, e soma ao fato de estar falando de um assunto que nunca é tratado, temos um jogo que pelo simples fato de ser indicado à prêmios, ele acaba empurrando toda a indústria pra frente.

Para saber mais sobre o jogo e meios de comprá-lo, visite o site oficial.

 

Treeker

Treeker: Os Óculos Perdidos chegou como quem não queria nada. Teve um lançamento discreto e, do nada, acabou aparecendo em três categoria das do BIG Festival. Além de melhor jogo, ele está concorrendo à Melhor Arte e Revelação Brasil.

Se eu tivesse de usar uma palavra para definir Treeker, ela seria “refrescante”. Você é lançado sem explicações à uma ilha em que qualquer ângulo e qualquer lugar poderia dar excelentes papéis de parede. Como se não bastasse, eu queria frisar o que mais em impressionou com o jogo: olhar pra cima.

Não é como se a ilha do jogo fosse maior que a de um Just Cause 2, mas a sensação de olhar para um estrutura gigantesca que arranha o céu, e ter a certeza de que você vai conseguir chegar lá simplesmente andando, é algo que eu não sentia desde que tive a montanha no horizonte em Journey.

Outro fator importante é o fato dele ser feito por uma só pessoa, um brasileiro de Santa Catarina. Esse jogo veio tão discretamente que até hoje eu estou um pouco no escuro sobre. Caso queira saber mais sobre ele, ou caso queira comprá-lo de vez, você pode acessar aqui.

 

event

É um pouco estranho avaliar ou premiar um jogo pelo que ele promete, e não pelo que ele é. Mas Evento[0] surpreende por ambos. Mesmo tendo apenas uma demonstração curta pronta, ele é um showcase de brilhantismo e, se ele for apenas uma expansão do que eles já prometeram, vamos receber algo único.

Event[0] é um take novo em adventures. Com uma ambientação muito bem resolvida e um modo de interação com o mundo (no caso, os terminais) único. É uma abordagem refrescante e que, até o momento, executa muito bem tudo o que apresentou de novo, oferecendo um tipo de experiência do qual o tema de “possível rebelião das máquinas” nunca esteve tão latente e, ao mesmo tempo, sem perspectiva de solução.

O projeto é francês e produzido por um ex-integrante da Ubisoft, dando aquela cutucada no tema “jogos indies feito por cabeças profissionais”. Para entender mais sobre o jogo, assista isso aqui.

 

lumino

De todos os dessa lista, esse aqui é o que eu pessoalmente mais torço para que ganhe. Ele é um jogo que foi brilhantemente bem planejado visualmente, fazendo com que uma arte estupenda possa ser rodada em qualquer máquina mais humilde, o que já garantiu o lançamento dele para smartphones no futuro, por exemplo.

Mas o mundo apresentado também é estupendo. Temos uma cidade com novidades em cada esquina, tudo embalado em uma atmosfera que faz com que você queira ficar pra sempre ali. Isso por sua vez também é impulsionado pelo gameplay. Os puzzles aqui são do meu estilo favorito: em vez de serem todos do mesmo tipo, mas com dificuldade crescente, o que é apresentado nas localidades de Lumino City são várias mecânicas diferentes no mesmo nível de dificuldade. O suficiente para forçar um pouco o cérebro, mas não o bastante para que se fique estressado.  Esse tipo de desafio enfatiza a sensação de descoberta na exploração do melhor jeito o possível.

O jogo já pode ser adquirido no Steam, e você pode conferir o trailer oficial do jogo aqui.

 

mekazoo

Donkey Kong Country é um jogo que, assutadoramente, acertou em basicamente tudo o que fez. O gameplay é espetacular, os gráficos eram inacreditáveis e a trilha sonora não parecia estar saindo de um SNES. Com o passar dos anos, esses três conceitos foram evoluindo, depois foram engavetados, e então foram resgatados e modernizados no que vimos em Donkey Kong Country Returns para o Wii.

Enquanto temos a interação dessas ideias em Tropical Freeze, alunos da escola americana Digipen resolver dar seu próprio take no assunto, e o resultado é Mekazoo.

Aqui vemos uma fluidez de jogabilidade que deixaria os jogos recentes de Sonic the Hedgehog com inveja. Em meio aos inúmeros lançamentos e saltos para lá e para cá em uma mecânica de plataforma muito bem refinada, ainda é preciso ficar alternando entre animais diferentes no meio do gameplay, cada uma com habilidades específicas. O sapo, por exemplo, pode se prender à elementos do cenário para orbitá-los e tomar impulso. Já o canguru consegue pular alto e dar wall-jump. Cada fase apresenta uma seleta específica de criaturas, e a sinergia entre eles é o que torna a experiência toda extremamente prazerosa.

Vini Aleixo

About Vini Aleixo

Game Designer que crítica jogos como hobby e Relações Públicas Não Oficial, Não Autorizado e Não Remunerado da Nintendo.

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