BIG Festival 2015: Categoria “Melhor Narrativa”

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Vinicius Aleixo faz parte da equipe de organização do BIG Festival. Suas opiniões expressas no Quick Saving e em textos relacionados, entretanto, não representam de forma alguma as opiniões do BIG Festival ou Abragames.

 

Muitas pessoas confundem narrativa com roteiro, e vice-versa. O termo “Narrativa” se refere não à história em si, mas como ele é contada. E a partir do momento que consideramos essa perspectiva, temos uma seleta de jogos interessantíssima nessa categoria.

Nota: Os textos à seguir podem contar spoilers leves sobre a trama.

 

event

Você acorda sem nenhuma ideia de quem é você e onde está (fiquem atentos, isso vai acontecer de novo nessa lista ainda).  Mas tudo te leva a crer que você está dentro de uma nave espacial sem mais nenhuma tripulação, e seu único meio de interagir com esse ambiente e saber mais sobre o que está acontecendo é através de uma inteligência artificial que conversa com você através de vários terminais.

O interessante aqui é a possibilidade de conversar de fato com essa IA. Para conseguir respostas, você sempre precisa estar formulando as perguntas certas para que ele responda de forma adequada, embora essa IA nem sempre esteja no clima ou com permissões para dar determinadas informações. Melhor ainda, estamos falando de uma inteligencia artificial tão bem feita que ela inclusive tem a capacidade de lembrar do fato que você foi grosseiro com ela, e isso pode de fato alterar o rumo da história. Esse trailer oficial do jogo é um excelente exemplo de como isso funciona.

 

ultra

Aqui, novamente, você acorda sem entender quem é você ou onde você está, mas assim que se começa, uma voz te chama. Ao chegar no lugar demarcado, é revelado que você é o grande escolhido, e a segurança daquele mundo só depende de você. O jogador é então encumbido de visitar alguns locais para resolver problemas. Ao retornar para poder ouvir um caloroso “A Winner is You”, o jogo se revela de fato e mostra que não tem uma história tão genérica assim.

ULTRAWORLD é um mundo recém criado por uma inteligência artificial chamada ULTRA, que acabou de tomar consciência. E ele quer ajuda não de um personagem qualquer, mas de você mesmo que está sentado na frente do computador, o jogador. Os próximos momentos envolvem cruzar esse mundo novo da forma mais “walking simulator” possível, contemplando um mundo surreal ao mesmo tempo que se descobre mais sobre o que exatamente é o ULTRA, de onde ele veio e o que ele quer.

Esse título está na categoria de melhor narrativa, mas se quiser babar um pouco com o visual do jogo, assista o trailer oficial aqui.

 

Dead Synchronicity: Tomorrow Comes Today

Você acorda sem saber quem é e onde está (juro que essa é a última vez que isso aparece nessa lista). Mas logo você percebe que está em uma versão pós-apocaliptica do mundo. Até aqui temos um cliché em cima do outro, mas Dead Synchronicity é bem, bem mais do que isso.

Não se trata apenas do genérico fim do mundo aqui, se trata do fim do Tempo (com letra maiúscula) também. Baseado em uma teoria de fato discutida por cientistas sobre o fim do universo, o resultado do Tempo como conhecemos estar chegando ao fim é o fato de que memórias desaparecem e realidades se chocam umas com as outras. O resultado é o puro caos, e o protagonista Michael se uma grande testemunha disso tudo.

O gênero point ‘n click pode já ter atingido a saturação faz muito tempo, mas Dead Synchronicity oferece um roteiro com o qual não estamos acostumados a lidar nesse gênero. Ele é apenas primeiro capítulo de uma saga maior, mas você já pode tentar ficar em dia acessando o link para comprar aqui.

 

Three

Uma das coisas que faz um jogo da Telltale serem tão cativantes não são as escolhas que o jogo dá, mas a ilusão de que o jogador tem controle sobre o que ele está fazendo. Isso faz com que as ações de quem está jogando pareçam sempre orgânicas e bem representadas no mundo com o qual ele interage, mesmo que elas tenham pouco ou nenhum impacto no rumo da história. As escolhas de diálogos que você vai fazer em Three Fourths Home não podem de forma alguma alterar o final do jogo, mas elas de fato vão fazer muita diferença ao longo dele.

Você toma o controle de Kelly, que está dirigindo de volta para casa enquanto uma forte tempestade está se aproximando. Para acalmar os pais, ela liga para eles durante a viagem, e a partir daí, de forma sutil e orgânica, eventos e relações dessa família são apresentados, e você pode sempre escolher alguma resposta pré-programada para responder perguntas dos seus pais. Como apontado antes, isso não muda o rumo da história, mas muda a sua relação com eles. Quando você é perguntado sobre o porque de estar tão longe de casa, você pode escolher entre “Não quero falar sobre isso”, ou “Eu só precisava sair pra pensar”, e isso aos poucos vai moldando sua história com seus entes queridos, assim como os passados e motivações de cada um.

Essa estrutura te dá duas opções para desfrutar do conteúdo do jogo: você pode jogá-lo várias vezes para entender melhor a estrutura de escolhas e conseguir visualizar todas as possibilidades de história, ou você pode jogá-lo uma única vez e aceitar que a versão que você pegou é a sua versão única e pessoal dos fatos. De qualquer forma, mais detalhes e meios de comprar o jogo estão disponíveis no site oficial.

 

war

Esse é outro jogo que fala menos sobre roteiro e mais sobre narrativa. Ele se passa do outro lado da guerra: ao invés de lidarmos com conflitos utilizando armas controlando heróis, somos obrigados a jogar no controle de refugiados de uma guerra não nomeada. Suas escolhas para tentar sobreviver, ainda que não tenham como mudar o curso dos conflitos armados, vão ter muito mais impacto que um típico jogo da Telltale. O jogador sempre começa o jogo com 3 personagens, e gerir tempo e recursos com os 3 é fundamental para que eles possam sobreviver o bastante para chegar até o fim da história. A necessidade de ir procurar comida é inevitável.

Quando eu mesmo comecei a jogar, considerei entrar na casa que aparentava ter a melhor relação de quantidade de suprimentos/risco, que era o lar de um casal de idosos. Se isso é um jogo, garantir minha sobrevivência é fundamental. Mas foi só o senhorzinho levantar e começar a suplicar para que eu não fizesse nada e nem os machucasse, que eu fiquei emocionalmente desarmado e deixei o lugar. Minha opinião sincera sobre esse tipo de coisa é que, se o discurso de um amontoado de linhas de código e polígonos foi forte o suficiente para abalar a lógica de uma ação, então o roteiro do jogo conseguiu te conquistar.

Para saber mais sobre esse jogo que também está em mais duas categorias, visite o site oficial.

Vini Aleixo

About Vini Aleixo

Game Designer que crítica jogos como hobby e Relações Públicas Não Oficial, Não Autorizado e Não Remunerado da Nintendo.

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